sexta-feira, 23 de setembro de 2022

Sem 'bala de prata', bolsonaristas racham e aliados do Bolsonaro temem a perda da eleição no 1º turno


Na reta final da campanha, o comitê do presidente Jair Bolsonaro (PL) admite, nos bastidores, que não há mais munição disponível para conseguir alavancar o candidato a ponto de reverter a vantagem do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Na última pesquisa do Datafolha, Bolsonaro teve 33% das intenções de voto, contra 47% de Lula.

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Sem a chamada "bala de prata", assessores presidenciais querem focar no aumento da rejeição de Lula, mas bolsonaristas mais radicais têm outros planos: defendem que o presidente canalize sua energia nos ataques às urnas eletrônicas para tumultuar o processo eleitoral. Alguns cogitam, inclusive, inundar as redes sociais com os ataques – mas a tática divide aliados.

Nessa quinta-feira (22), em entrevista à TV A Crítica, Bolsonaro já deu a senha e voltou a mentir a respeito de uma suposta fiscalização por militares na chamada sala cofre do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O presidente disse que as Forças Armadas "pretendem colocar técnicos deles dentro da sala cofre do TSE".


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"Uma sala que ninguém conhece o que acontece lá dentro. Assim como a PF parece que vai fazer a mesma coisa e a CGU, a mesma coisa. Entendo que a chance de desvio de corrupção diminui bastante, não zera, zeraria com o voto impresso, mas o voto impresso o senhor Barroso trabalhou dentro da Câmara contrário ao voto impresso. Mais uma interferência indevida de um integrante do STF dentro do Parlamento. Mas recomendo ao pessoal que vão votar, vão fazer a sua parte, deixa essa fiscalização com as Forças Armadas, com a PF, que tenho a certeza que temos tudo para ter eleições tranquilas. Mas eu repito: chance de fraude diminui bastante, mas não fica zerado", afirmou Bolsonaro.

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Bolsonaro investe no tumulto – como fez em entrevista de quinta – e agrada radicais na campanha que não veem outra saída para o presidente – em desvantagem nas pesquisas –, a não ser voltar a insistir nos ataques ao sistema eleitoral.


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Para políticos do Centrão que fazem parte da campanha, a estratégia é um 'tiro no pé", pois Bolsonaro perde votos e afasta indecisos sempre que provoca "tumulto" e adota "teorias conspiratórias". Ou seja, turbinar essa estratégia pode piorar sua situação a dias do primeiro turno. Nas palavras de um político do Centrão, "voltar a atacar as urnas é uma estratégia aloprada".


A discordância e preocupação de políticos aliados a Bolsonaro com uma radicalização na reta final coincide com a decisão de quinta-feira do ministro Ciro Nogueira, da Casa Civil, de pedir "férias" da Casa Civil às vésperas da eleição



Nogueira é o chefe da campanha de Bolsonaro – e nunca gostou da insistência de Bolsonaro em atacar urnas e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), por exemplo. Oficialmente, ele diz que foi cuidar da campanha de seus aliados no Piauí – sua base eleitoral. Mas causou estranheza entre bolsonaristas sua licença a dias do primeiro turno.

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