terça-feira, 16 de novembro de 2021

O governo Bolsonaro convoca todo o ministério para rebater os indígenas



 De repente, a preocupação com os povos indígenas se tornou a principal inquietação do governo federal – pelo menos, nas redes sociais. Pressionada pela repercussão no Brasil e no mundo denúncias de abandono e de genocídio feitas por lideranças dos povos originários, a gestão Bolsonaro instruiu as equipes de comunicação de todos os ministérios a ajudar a rebater as críticas e divulgar as ações do governo em relação aos indígenas, o que tem sido feito pela maioria dos órgãos nos últimos dois dias.


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A fonte das postagens que têm sido divulgadas pela Esplanada toda é a Secretaria de Comunicação (Secom) da Presidência da República, que disparou dezenas de notas desde o fim da semana passada acusando de “mentira” denúncias que têm sido feitas por indígenas que foram à Conferência das Nações Unidas para as Mudanças Climáticas (COP26), na Escócia, em reportagens e em um filme que estreou na Netflix.

No domingo, dia 14 de novembro, a Secom orientou as equipes de comunicação dos ministérios a entrar no esforço para combater as críticas.

A orientação foi seguida pela maioria dos órgãos entre o domingo e a segunda (15/11). Postagens defendendo as ações do governo em relação aos indígenas foram replicadas em contas de Twitter, Instagram e Facebook de pastas que têm pouco a ver diretamente com o assunto, como os ministérios do Trabalho; Turismo; Infraestrutura; Ciência e Tecnologia; Desenvolvimento Regional; Agricultura; Casa Civil e Secretaria de Governo. Pastas com mais afinidade com o tema, como a da Saúde; a da Educação; a da Cidadania e a dos Direitos Humanos (Mulher e Família) também aderiram.

Estranhamente, o Ministério do Meio Ambiente foi um dos poucos a não atender o pedido da Secom, juntando-se às pastas da Economia; de Minas e Energia e à Advocacia-Geral da União (AGU).

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